Em “Caminho das Índias”, Alexandre Borges vive um ex-milionário que agora luta para reaver parte de sua fortuna e decidir o que irá fazer de sua vida daqui pra frente. Raul não pretende procurar a antiga família, mas seus parentes vão acabar descobrindo tudo o que ele aprontou. Será que a família irá perdoar Raul? Conversamos com Alexandre Borges e na visão do ator Raul não é um mau caráter e sim um homem que estava desiludido com a vida e acabou caindo em uma armadilha.
Como é interpretar Raul Cadore? Ele é muito diferente de você?
“Tem uma coisa em que eu sempre reparei: a infelicidade das pessoas que tem muito na vida. São pessoas que conseguiram dinheiro de uma maneira muito rápida, em alguns casos através de uma herança, possuem tudo de bom na vida, mas são muito tristes, não se sentem inteiras, estão acostumadas só a pensar no dinheiro, preocupadas em ser financeiramente realizadas e se esquecem do lado espiritual, mais interiorizado. Eu sempre procurei me enriquecer culturalmente, espiritualmente, para me tornar um homem melhor e é muito interessante interpretar um personagem com o qual eu posso trabalhar essa fraqueza humana”.
Como você construiu o personagem Raul Cadore?
“O ponto de partida do Raul foi um pouco esse homem bem sucedido que tem um vazio. É lógico que essa falta de prazer pela vida, pela família, pode acontecer com qualquer pessoa. Às vezes não é só uma questão de ser bom caráter ou mau caráter, podem ser pessoas que tiveram uma vida legal com amor e se entregam a algo, achando que vão encontrar ali um elemento que faça suas vidas valerem a pena. Procurei não fazer do Raul um canalha. O que ele faz é uma canalhice, mas não reflete o que ele é de verdade”.
Você consegue se imaginar passando por uma situação como a do Raul? Tendo perdido todo o dinheiro, amigos e família?
“É terrível, né? Mas ele está colhendo o que plantou. Para o Raul se tornar uma pessoa melhor teve que ficar sem dinheiro, perder tudo, para entender o quanto valia sua vida e o quanto ele não dava valor”.
O Raul é uma mistura de mocinho e vilão. Ao mesmo tempo em que ele fez muita coisa errada, está pagando por isso e tem muita gente que torce por ele. Você acha que ele é mais mocinho ou mais vilão?
“Pelo fato de a minha história ser ligada ao teatro, acho que os grandes clássicos teatrais servem pra gente ampliar alguns tipos que podem ser estereotipados. Para mim, ele é quase um herói trágico. Ele foi atrás de algo que achava que ia dar certo e começou a passar por todas as peripécias da vida até chegar ao fundo do poço e fazer esse retorno para casa. O Raul passa por esse ciclo do herói grego. Mas se tiver que escolher entre esses dois ele é o vilão que percebeu que errou. Estou procurando mostrar uma coisa mais simbólica com esse personagem, não o construí para ser um vilão que depois se redime e nem o mocinho que vira vilão por consequência. Mas acho difícil categorizar um cara que está fraco, sem perspectiva, quase em depressão. É um personagem bem complexo”.
Como você enxerga essa relação do público com o seu personagem?
“As pessoas já odiaram o Raul e hoje já gostam dele, sentem compaixão”.
Você tem filho como o Raul, não é? O que você faria para conseguir o perdão de seu filho se estivesse na situação do Raul?
“O Raul nunca mais vai ter aquele amor genuíno da filha. Isso é um trauma para qualquer pessoa quanto mais na de uma jovem que está começando a vida. Mesmo que ele tente, nunca mais vai ser a mesma coisa. Não sei o que eu faria... É uma situação muito difícil”.
Quais são seus planos para depois que a novela acabar?
“Vou descansar, ir a médicos, ao dentista (risos). Descansar a cabeça... A novela teve temas densos e complexos, mas foi muito prazerosa de fazer e tive a sorte de contracenar com colegas, amigos que sempre foram muito unidos. Débora (Bloch), Elias (Gleiser), Vitória (Frate), Letícia (Sabatella) e agora o André (Gonçalves). A gente formou um grupo, focado em fazer um trabalho bem feito com união e isso deu uma leveza no nosso bastidor, nas nossas relações. Então estou sentindo um cansaço normal, não estou exausto”.
Raul se envolveu nas armações de Yvone porque cansou de seu casamento. Você e a Júlia Lemmertz são casados há bastante tempo. Qual é o segredo para a relação não cair na rotina?
“Não atribuo só a isso, acho que o vazio que o Raul sentia o fez cair na armação da Yvone. Ele chegou a um momento na vida de não querer mais nada daquilo, não querer aquela profissão... Ele não conseguiu resistir e foi a fundo nisso e acho bem triste Raul ter chegado a esse ponto. O que ele está passando agora não é o pior, o pior foi a cabeça dele que o levou a fazer isso. E acho que hoje em dia ninguém tem obrigação de ficar com ninguém. O casamento é você estar a fim de investir nesse relacionamento todo dia, passando por dificuldades e alegrias. É importante ser sincero, honesto com você mesmo e respeitar o espaço de cada um dentro da relação”.
Como é interpretar Raul Cadore? Ele é muito diferente de você?
“Tem uma coisa em que eu sempre reparei: a infelicidade das pessoas que tem muito na vida. São pessoas que conseguiram dinheiro de uma maneira muito rápida, em alguns casos através de uma herança, possuem tudo de bom na vida, mas são muito tristes, não se sentem inteiras, estão acostumadas só a pensar no dinheiro, preocupadas em ser financeiramente realizadas e se esquecem do lado espiritual, mais interiorizado. Eu sempre procurei me enriquecer culturalmente, espiritualmente, para me tornar um homem melhor e é muito interessante interpretar um personagem com o qual eu posso trabalhar essa fraqueza humana”.
Como você construiu o personagem Raul Cadore?
“O ponto de partida do Raul foi um pouco esse homem bem sucedido que tem um vazio. É lógico que essa falta de prazer pela vida, pela família, pode acontecer com qualquer pessoa. Às vezes não é só uma questão de ser bom caráter ou mau caráter, podem ser pessoas que tiveram uma vida legal com amor e se entregam a algo, achando que vão encontrar ali um elemento que faça suas vidas valerem a pena. Procurei não fazer do Raul um canalha. O que ele faz é uma canalhice, mas não reflete o que ele é de verdade”.
Você consegue se imaginar passando por uma situação como a do Raul? Tendo perdido todo o dinheiro, amigos e família?
“É terrível, né? Mas ele está colhendo o que plantou. Para o Raul se tornar uma pessoa melhor teve que ficar sem dinheiro, perder tudo, para entender o quanto valia sua vida e o quanto ele não dava valor”.
O Raul é uma mistura de mocinho e vilão. Ao mesmo tempo em que ele fez muita coisa errada, está pagando por isso e tem muita gente que torce por ele. Você acha que ele é mais mocinho ou mais vilão?
“Pelo fato de a minha história ser ligada ao teatro, acho que os grandes clássicos teatrais servem pra gente ampliar alguns tipos que podem ser estereotipados. Para mim, ele é quase um herói trágico. Ele foi atrás de algo que achava que ia dar certo e começou a passar por todas as peripécias da vida até chegar ao fundo do poço e fazer esse retorno para casa. O Raul passa por esse ciclo do herói grego. Mas se tiver que escolher entre esses dois ele é o vilão que percebeu que errou. Estou procurando mostrar uma coisa mais simbólica com esse personagem, não o construí para ser um vilão que depois se redime e nem o mocinho que vira vilão por consequência. Mas acho difícil categorizar um cara que está fraco, sem perspectiva, quase em depressão. É um personagem bem complexo”.
Como você enxerga essa relação do público com o seu personagem?
“As pessoas já odiaram o Raul e hoje já gostam dele, sentem compaixão”.
Você tem filho como o Raul, não é? O que você faria para conseguir o perdão de seu filho se estivesse na situação do Raul?
“O Raul nunca mais vai ter aquele amor genuíno da filha. Isso é um trauma para qualquer pessoa quanto mais na de uma jovem que está começando a vida. Mesmo que ele tente, nunca mais vai ser a mesma coisa. Não sei o que eu faria... É uma situação muito difícil”.
Quais são seus planos para depois que a novela acabar?
“Vou descansar, ir a médicos, ao dentista (risos). Descansar a cabeça... A novela teve temas densos e complexos, mas foi muito prazerosa de fazer e tive a sorte de contracenar com colegas, amigos que sempre foram muito unidos. Débora (Bloch), Elias (Gleiser), Vitória (Frate), Letícia (Sabatella) e agora o André (Gonçalves). A gente formou um grupo, focado em fazer um trabalho bem feito com união e isso deu uma leveza no nosso bastidor, nas nossas relações. Então estou sentindo um cansaço normal, não estou exausto”.
Raul se envolveu nas armações de Yvone porque cansou de seu casamento. Você e a Júlia Lemmertz são casados há bastante tempo. Qual é o segredo para a relação não cair na rotina?
“Não atribuo só a isso, acho que o vazio que o Raul sentia o fez cair na armação da Yvone. Ele chegou a um momento na vida de não querer mais nada daquilo, não querer aquela profissão... Ele não conseguiu resistir e foi a fundo nisso e acho bem triste Raul ter chegado a esse ponto. O que ele está passando agora não é o pior, o pior foi a cabeça dele que o levou a fazer isso. E acho que hoje em dia ninguém tem obrigação de ficar com ninguém. O casamento é você estar a fim de investir nesse relacionamento todo dia, passando por dificuldades e alegrias. É importante ser sincero, honesto com você mesmo e respeitar o espaço de cada um dentro da relação”.
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